CET irrita a população mesmo quando entra em ação
André Kuchar • Fotos: Vicky Furtado
Criada na metade da década de 70 para gerenciar, operar e fiscalizar o complexo sistema viário da cidade de São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) já serviu de referência para outros municípios brasileiros que copiaram o seu modelo de gestão. Nos últimos anos, porém, a empresa de economia mista vinculada a Prefeitura se tornou alvo de críticas contundentes da população. Sobre a CET recaem reclamações de toda ordem. As queixas vão desde a lentidão para instalar sinalizações obrigatórias no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) como pinturas de faixas de travessias de pedestres em vias que receberam novas camadas de asfalto há tempos ou medidas tomadas por técnicos como inversões de mão de vias que acabam prejudicando moradores e colocando em risco motoristas e até mesmo eliminação de rotatória que oferecia campo de visão seguro para manobras. Da inacreditável omissão a medidas polêmicas, esses são exemplos comuns encontrados na região da Mooca e de Vila Prudente. Todos acabam desagradando e irritando ainda mais os moradores desses bairros.
Recapeada em abril deste ano, a Avenida Paes de Barros, considerada cartão postal da Mooca, aguarda desde então as implantações de sinalizações de solo em três cruzamentos: perto da Rua Coronel Joviniano Brandão, Rua Chamantá e Rua Capitão Pacheco Chaves, esta já no bairro de Vila Prudente e que coloca sobretudo em perigo clientes das diversas agências bancárias das imediações.
“Sem as faixas, é grande o número de motoristas que não obedece e passam o semáforo no vermelho em desrespeito ao sinal, principalmente os motoqueiros”, comenta o comerciante Genival Damaro sobre a ausência delas nos dois sentidos. “Já testemunhei muitos casos em que os motoristas percebem que avançaram pela faixa ‘imaginária’ e quando querem dar a ré beliscam os pedestres. Estes só conseguem conter os motoristas imprudentes na base dos gritos. Ontem [terça-feira, dia 16] uma senhora se livrou por pouco de ser atropelada, mas no lado oposto [sentido centro-bairro]”.
Para a desenhista Elizabeth Anadon, a situação neste trecho da avenida é confusa e reina o caos. “Qual são os motivos por não terem ainda pintado as faixas? Não tem sentido ter um semáforo sem as obrigatórias faixas?”, indaga. “Como os motoristas e pedestres podem se guiar nessas condições sem referências, sobretudo à noite?”. Já a amiga que a acompanhava a desenhista, Maria Aparecida S. Paz, aproveita a ocasião e relata ocorrências trágicas neste local. “Na semana passada uma conhecida foi atropelada por uma moto no sentido centro-bairro e acabou perdendo a visão. No ano passado, perdi uma amiga neste cruzamento”, disse.
SAÍDA DO CENTER CASTILHO
Depois de quase um ano de reclamações dos moradores sobre o perigo e o local inadequado da saída do estacionamento do Center Castilho, na esquina da Avenida Anhaia Mello com a Rua Pedro Nolasco da Cunha, no Jardim Avelino, a CET resolveu mudar a mão de direção desta rua. Para evitar que os veículos tentem acessar a Avenida Salim Farah Maluf foram colocados recentemente cones e placas.
Essa mudança, porém, deixou os moradores do bairro irritados. “Muitos moradores estão usando o posto de combustível como pátio para manobras”, relata o atendente de uma vídeo locadora das proximidades, Danilo Colombo. “O mais incrível é que um técnico da CET recomendou essa opção. Eles só pensaram em privilegiar os clientes do Center Castilho e se esqueceram da comunidade”.
O empresário Luiz Alberto G. Martins, morador do bairro, vai mais adiante nas críticas e explica que inúmeros vizinhos consideraram uma "aberração" a "solução" implantada pela CET, pois os cones para impedir o acesso a Rua Pedro Nolasco da Cunha, estão fazendo com que os motoristas adentrem ao posto de gasolina. “Está muito mais perigoso. Alem disso, motoristas imprudentes que saem do Center Castilho, continuam ‘cortando’ a Anhaia Melo para acessar a Salim Farah Maluf. Há dois sábados um motoqueiro foi acidentado. A CET deveria colocar os cones na confluência da Salim Farah Maluf com Anhaia Melo para impedir este perigoso acesso que causa acidentes”.
Para ele, a CET demorou uma enormidade para solucionar o problema da saída do Center Castilho e agora implantou uma medida que conseguiu piorar o que já estava ruim, com muito mais probabilidade de ocorrer um acidente grave. “Infelizmente este é o ‘competente’ órgão que administra o trânsito em São Paulo e talvez esta incompetência seja uma das razões do caótico trânsito na região”.
OUTRA MUDANÇA DESAGRADA
Uma das mudanças viárias efetivadas há cinco meses pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) na confluência da Avenida Zelina com a Rua Pinheiro Guimarães e Rua das Heras, em Vila Lúcia, também está desagradando aos moradores locais e trazendo sérios riscos de provocar acidentes. Além de construir os canteiros verdes em substituição aos trechos de asfalto cercados por prismas de concreto, foram introduzidas várias alterações no trânsito.
Uma das principais novidades foi com relação aos veículos originários da Avenida Anhaia Mello que têm como destino a Rua das Heras, em direção a Vila Bela e São Caetano do Sul. Eles ganharam uma pista adicional para conversão à esquerda a partir da Rua José Nóbrega Botelho, eliminando a rotatória que existia um pouco mais embaixo.
“Essa mudança facilitou quem está vindo da Rua Caetano Pimentel do Vabo, mas agora sem a rotatória os motoristas que vêm da Rua Pinheiro Guimarães estão sem visão e não enxergam quem está vindo da Avenida Zelina”, comenta o engenheiro civil aposentado, Márcio C. Fonseca, morador de Vila Lúcia.
Para esse engenheiro, só existe um jeito para interromper o fluxo da Avenida Zelina e dar maior segurança aos que estão na Rua Pinheiro Guimarães. “Deveriam instalar um semáforo, mas a CET [Companhia de Engenharia de Tráfego] sempre encontra a desculpa de que faltam verbas e que o equipamento é caro”, argumenta. “O resultado é que muitos motoristas ficam perigosamente no meio da ilha, esperando sua vez para entrar na Rua das Heras ou na Rua José da Nóbrega Botelho”.
O PAULISTANO encaminhou todos esses problemas para a Assessoria de Imprensa da CET, mas até a conclusão desta edição não recebeu retorno.
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Esquina registra mais um acidente com moto
Na tarde de segunda-feira, dia 15, por volta das 16h45, a esquina da Rua Ibitirama com a Rua Waldemar Prizon, em Vila Prudente, registrou mais um acidente envolvendo veículo Pálio que colidiu com motocicleta, com o seu condutor sofrendo ferimentos leves. Viatura do resgate chegou ao local às 17h e após o motoqueiro receber atendimento foi conduzido ao Pronto Socorro de Vila Alpina.
Como é de costume esse acidente seguiu um conhecido roteiro. A motorista do Pálio recebeu aceno de outro motorista que deu passagem para ingressar na Rua Ibitirama no sentido centro-bairro com destino a São Caetano do Sul, mas não visualizou o motoqueiro ultrapassando seu veículo pela esquerda na direção contrária, e que acabando se chocando com a lateral do carro.
A esquina está se tornando famosa de maneira negativa, tal a quantidade de acidentes desse tipo que ocorrem há tempos no local. “Numa ocasião, a viatura do resgate havia acabado de deixar o local, quando um outro acidente aconteceu”, revelou o microempresário, Paulo Sukys, morador das imediações. “Os dois acidentes na seqüência envolveram motoqueiros”.
As sinalizações no asfalto nesse trecho da Rua Ibitirama, que estão completamente apagadas, continuam a preocupar. Para o bancário José Alves D, Cunha, morador da Quinta da Paineira, o perigo maior é a proximidade de dois pontos de ônibus, locais onde as ultrapassagens são proibidas. “Mas com as faixas apagadas, motoristas e motoqueiros na pressa passam os ônibus parados e aí ocorrem às batidas”, analisa.
Embora tenha sido encaminhada à Assessoria de Imprensa da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) pedido de posição acerca de matéria publicada na edição passada que tratava dos riscos de acidentes nessa esquina, o PAULISTANO recebeu do Departamento de Atendimento ao Munícipe a seguinte resposta: “sua solicitação está sendo tratada no Processo nº 00.25.17045/08-91. Oportunamente, comunicaremos os resultados da análise. Solicitamos que aguarde um posicionamento sobre a questão”. (AK) |