Pais indignados com a
EE Júlia Pantoja
André Kuchar • Foto: Vicky Furtado
Indignação. Esse é sentimento que predomina num grupo de pais de alunos da Escola Estadual (EE) Professora Júlia Macedo Pantoja, de Vila Prudente, em virtude dos problemas e da suposta falta de atenção com que os mesmos estão sendo tratados. Uma das dores de cabeça são as freqüentes arruaças que acontecem perto da entrada da escola, na Rua Assuapá, além da ausência de uma viatura escolar fixa da Polícia Militar (PM).
Segundo pais de alunos, há quatro meses são comuns brigas envolvendo ex-alunos que foram expulsos e até mesmo adolescentes estranhos da escola. “Disseram que para ter viatura nos horários de entrada e saída dos alunos precisavam de 40 adesões no abaixo-assinado, mas conseguimos 60”, explica o eletricista Carlos Alberto Cirullo, pais de três estudantes. “Entregamos o abaixo-assinado na 4ª Cia do 21º Batalhão [Jardim Avelino] no fim de outubro, mas até agora não fomos atendidos. Quando começam as confusões, telefonamos e a viatura aparece, mas basta os policiais saírem para as bagunças recomeçarem”.
De acordo com outro pai de aluno, Ericson Silvério Ribeiro, o grupo das badernas reúne 30 adolescentes. “Há duas semanas espancaram um garoto de 13 anos perto do portão da escola”, relata. Ele tem um filho na 3ª Série. “A vice-diretora [Vera] foi acionada. Ela tentou apartar, mas não conseguiu e eles foram brigar na Rua Cananéia. Não é assim que se resolve a violência entre os jovens. A briga parou quando a PM chegou e enquadrou três garotos”.
A assistente administrativa, Adriana Detilio, que mora em frente ao portão, não desgruda os olhos de seu filho, que cursa a 1ª Série, até ele entrar na escola. “Numa confusão recente, jogaram ovos na parede da minha casa”, conta. “Quando a PM veio, ela fez os garotos limparem. Precisamos dos PMs para dar tranqüilidade aos nossos filhos. Afinal, a escola deve ser a extensão do lar”.
OMISSÃO DA DIREÇÃO
Outra denúncia dos pais é quanto à omissão da direção da escola sobre a violência e os pedidos para a escola contar com viatura fixa. “A diretora [Mônica] afirma que do portão para fora o problema não é dela, e ela não quis ajudar no abaixo-assinado”, comenta a dona de casa Roseli Gonçalves Cirullo, esposa de Carlos Alberto. “Ao reclamarmos, ela usa o artifício da lei de desacato de funcionário público. Já a PM diz que não tem efetivo para viatura fixa”.
Os pais ainda fazem outras graves acusações à direção da escola. “A diretora não deixa os alunos entrarem se não estiverem com as peças do uniforme completas. Ela ainda nos obrigou a preencher o formulário de avaliação da escola pelo Enem a lápis. Enfim, não é propensa ao diálogo”, critica Carlos Alberto. “Com a outra diretora [Deise], que saiu há três anos, nossas relações eram melhores”.
A assistente administrativa endossa às críticas. “Furtaram o dinheiro do lanche do meu filho na escola. A vice-diretora somente me atendeu do lado de fora”, conta Adriana. “Ela ainda perguntou se eu era do lar ou tinha profissão, insinuando que era desocupada”.
O OUTRO LADO
O PAULISTANO procurou a direção da escola, mas a vice-diretora disse que somente poderia se manifestar com autorização da Diretoria de Ensino da Região Centro Sul ou por intermédio da Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado da Educação, para a qual foram encaminhadas as principais questões, mas não recebeu retorno até a conclusão desta edição.
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