Aumentam confusões e delitos em porta de shopping
Vicky Furtado
Os moradores do Jardim Anália Franco andam presenciando, nas noites de sextas-feiras, uma situação que já virou ritual para um grupo de jovens. Diversos adolescentes usam uma das portas de entrada do Shopping Anália Franco como ponto de encontro, algo encarado praticamente como uma “balada” por eles. Até aí tudo bem. É mais do que normal jovens adotarem este costume. O problema começa quando alguns desses “freqüentadores” formam um grupo para fazer confusões e criar uma cena explícita de baderna. Os delinqüentes se aproveitam do aglomerado para causar brigas e delitos.
Um flagrante realizado pelo PAULISTANO serve de prova desta conduta. A imagem foi feita na noite de sexta-feira, dia 14, por volta das 20h, na Avenida Regente Feijó. Aproximadamente 40 a 50 garotos invadiram a pista em meio a uma grande correria, obrigando os motoristas a reduzirem a velocidade ou, até mesmo, a pararem diante de tantos jovens. Passados alguns minutos, e depois de muita agitação – o que lembrou uma imagem de “arrastão” –, duas viaturas da polícia chegaram ao local e “espantaram” o grupo.
Relatos confirmam
De acordo com dois funcionários de um prédio das proximidades, que preferiram não se identificar, a confusão é antiga. Eles contam que um de seus colegas já foi, inclusive, agredido e se diz hoje traumatizado. A agressão ocorreu em meio a uma briga entre os delinqüentes. Um dos grupos envolvidos tentou se refugiar atrás do funcionário que fazia a segurança de um prédio residencial, e acabou sendo ferido pelo grupo rival. Eles dizem que esta situação já foi pior. “As coisas deram uma pequena melhorada após uma noite que foi necessária a presença da Tropa de Choque”, explica um dos funcionários.
Como testemunhas oculares, os funcionários asseguram que já presenciaram de tudo. “Já vimos, nas noites de sextas, roubos, jovens com porte de arma de fogo, drogas e bebidas alcoólicas. Muitos moleques não passam dos dez anos de idade”, afirmam. “Nós sabemos que não é sempre que há uma viatura da polícia no local. Elas aparecem depois de já iniciada a confusão”, acrescentam.
Vizinhos evitam o local
Os moradores da região se mostram relutantes em freqüentar o local nas noites de sextas-feiras, como confirma a estudante E. M. P., de 17 anos: “Até o ano passado eu ia muito a esses encontros, principalmente às sextas-feiras. Desde o começo do ano, quando comecei a perceber uma movimentação de pessoas estranhas, parei de ir”. A estudante conta que os delinqüentes “são pessoas que vem de longe, que ficam mexendo com as meninas de forma grosseira”.
Da mesma forma, o publicitário C. J. P. J., de 46 anos, dá seu depoimento. “Quando voltava do trabalho vinha caminhando quase sempre pela região do shopping e me incomodava muito a presença daquela molecada ali, mas como eles nunca fizeram nada contra mim, eu relevava. Até o dia em que presenciei um arrastão, de cerca 50 moleques, gritando e correndo feito um bando de animais pela Avenida Regente Feijó. Eu presenciei o bando batendo a carteira de um senhor que andava cerca de 80 metros a minha frente. Quando eles perceberam que eu vi, me ameaçaram, dizendo que se eu fosse na polícia eles iriam atrás de mim. Isso foi há cerca de um mês e, desde então, não passo mais pelo shopping a pé”.
Brigas e consumo de álcool
Uma funcionária do shopping que também não quis se identificar, relatou que já presenciou um atrito entre os jovens. Em uma sexta-feira, por volta das 22h, enquanto aguardava seu ônibus em uma parada em frente ao local, viu-se em meio a uma briga com direito a garrafadas e, por conseqüência, a chegada da polícia. “Fiquei no meio e corri ao ver meu ônibus chegar”, afirma a funcionária, que acrescenta: “já vi muitos jovens consumindo bebida alcoólica. Eles mandam os mais velhos comprarem – muitas vezes no próprio supermercado que há dentro do shopping – e, para que os menores possam consumir o produto, as bebidas são postas estrategicamente em outras garrafas, como de refrigerante, por exemplo”. A funcionária conta que em determinada noite de sexta-feira testemunhou a presença de três funcionários do Juizado de Menores no local.
O que diz a Assessoria
Procurada pelo PAULISTANO, a Assessoria de Comunicação do Shopping Anália Franco frisa que o estabelecimento não pode responder pela área externa aos portões, sendo estas de responsabilidade da Polícia Militar, e, devido à concentração de jovens, há o aumento do efetivo de vigilantes nas sextas-feiras e que “eventuais comportamentos indevidos são identificados e os envolvidos advertidos”.
PM contradiz testemunhos
De acordo com o Capitão Sérgio Felleto, da 1ª Companhia do 8° Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área, não há nada que possa ser classificado como “arrastão”. “Eles vão ali apenas para serem vistos, e o nosso trabalho é manter a integridade física dos adolescentes, assim como garantir a circulação normal dos veículos”, explica. Sobre o comportamento do grupo que “invade” a avenida e se coloca em frente aos carros, Felleto diz que a ação não é intencional: “Eles naturalmente vão se aglomerando na calçada ao ponto de não se darem conta que estão no meio da pista obstruindo o trânsito”.
Entretanto, o Capitão admite que possam existir pequenos delitos, mas que o principal problema é que as pessoas acabam não prestando queixa. Felleto alega que nas noites de sexta-feira, a partir das 19h, sempre há uma viatura e, no mínimo, três policias posicionados no local, mas que em nenhum momento houve a presença da Tropa de Choque. Ele cita que os jovens – de faixa etária entre 12 e 17 anos – são, em geral, de bairros mais afastados, como Carrão, Vila Diva, Sapopemba e São Mateus.
Para reclamações e queixas, a população pode ligar para o telefone 190 ou para a 1ª Companhia do 8° Batalhão, no telefone 2294-3046.
|