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Acontece na Região - Cemitério de Vila Alpina

Túmulos voltam a desabar

André Kuchar

Em um ano e meio é a terceira vez que túmulos são engolidos pela erosãoAlém dos naturais ares de tristeza durante os velórios realizados no Cemitério São Pedro, em Vila Alpina, um outro sentimento domina os parentes e amigos dos falecidos: a indignação com a conservação de certas áreas da necrópole e até mesmo a falta de materiais de higiene nos sanitários.
Nas proximidades da Quadra A21 e Terreno 147, na parte central da área de concessões do cemitério, um tapume de madeira de quase dois metros de altura atrai novamente a atenção dos frequentadores. O cercado denuncia um problema que está virando frequente. Nesse local, após as chuvas do início da semana passada, aconteceram novos desabamentos de túmulos.
Num intervalo de um ano e meio, é a terceira vez que o Jornal PAULISTANO é acionado pela população da região por causa de erosões do subsolo que chegam a engolir campas inteiras. Na primeira ocorrência, em maio de 2008, sete túmulos desmoronaram com o solapamento de terra. Na segunda, em março deste ano, 24 campas foram soterradas.
“O cemitério está com ar de abandono total”, comenta uma frequentadora e dona de casa. Ela mora em Vila Califórnia e pediu para manter seu nome em sigilo. “Perto do túmulo de meu pai existem campas danificadas e outras afundadas. Além disso, cercaram a área e colocaram lonas pretas para esconder e disfarçar o problema”.
De acordo com essa dona de casa, os desabamentos vêm se repetindo. “Não é primeira vez que noto essa erosão. Sei que às vezes há dificuldades para localizar os parentes para transferir os corpos sepultados”, disse. “Mas, quais são as causas disso? Não pode ser apenas chuvas. Ninguém faz nada para evitar essas erosões”.
De acordo com uma jardineira que presta serviço no cemitério e pediu para não ter seu nome identificado, os desmoronamentos ocorrem nos túmulos mais antigos. “Eles foram construídos com seis gavetas [andares] e sofrem maiores riscos de erosão com as fortes chuvas e o grande vácuo interno”, conta. “Agora, a ordem do Serviço Funerário é para construir com apenas quatro gavetas”.

SEM SABONETE LÍQUIDO
Os problemas no cemitério não se restringem à área externa. No último sábado, dia 12, o publicitário Esdras S. Santiago participava de um velório e ficou indignado quando precisou utilizar os banheiros. “Precisava lavar as mãos, passar água no rosto, mas não tem sabonetes líquidos, nem papéis, muito menos o gel líquido exigido pela vigilância sanitária”, relata o publicitário, que mora no Parque São Lucas. “São várias as taxas exigidas para velar e enterrar um ente querido, mas não temos o mínimo de benefício. Sem contar a presença de gatos e cães doentes e sujos espalhados entre os boxes. Procurei o responsável pela administração, mas este nada fez e nem mostrou interesse. Por isso, encaminhei o problema para a Chefia de Gabinete do Serviço Funerário. De lá, pediram para aguardar as providências que serão tomadas”.
Procurada, a Assessoria de Imprensa do Serviço Funerário não se pronunciou.

 
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